Sou…

Publicado: 25/04/2011 por Flicsotera em Textos
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Esta imagem não nos pertence. Obrigada ao criador.

 

Sou o vendaval sem aragem, a partida sem viagem

Sou a espera do inexistente, a eterna dor latente

Sou a espada numa parede, pulo no trapézio sem rede

Sou a chama apagada, a alma transviada

Sou uma pedra tumular, morta e a chorar

Sou o horizonte esquecido, perdido no abraço escondido

Sou uma folha amassada, o fim de uma história sagrada

Sou a vida que não é minha, já cedi a alma que tinha

Sou o lençol ensanguentado, a envolver um coração amputado

Sou uma metade sem par, estilhaçada num desejo singular

Sou um mergulho num precipício, o mais sufocado suplício

Sou um caco de bola de sabão, uma prisioneira num porão

Sou um cesto de mágoas, quais nem tu, em palavras, afagas

Sou o perigo de uma varanda sem corrimão, o toque do chão

Sou um leão domesticado, na liberdade da selva enjaulado

Sou poesia que não sabe rimar, a canção que não se quer cantar

Sou um livro de capa rasgada, a pútrida esperança afogada

Sou a medição de areia do deserto, um violino sem conserto

Sou piano de teclas partidas, uma arca de maldições sortidas

Sou carta vermelha sem destinatário, a queima de um diário

Sou sonho desbotado, uma folha de jornal de um antepassado

Sou perfume sem cheiro, sou uma bússola sem paradeiro

Obrigada pela Ajuda Dada *

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comentários
  1. Dada disse:

    De nada… :’)

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